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O mundo é colorido.

17/04/2005

Ao acompanhar pela mídia, o episódio racista ocorrido semana passada, em que o zagueiro Leandro Desábato, da equipe argentina Quilmes Futebol Clube, furiosamente investiu contra o atacante Grafite, da equipe brasileira São Paulo Futebol Clube, com adjetivos e gestos preconceituosos em plena disputa de uma partida de futebol, de uma competição internacional, me lembrei automaticamente de uma aula que tive a oportunidade de assistir no auditório 411 do CCHLA da Universidade Federal da Paraíba, aula esta ministrada pelo professor João Azevedo do departamento de História daquela academia. Os ensinamentos trazidos pelo brilhante educador, que, aliás, tem como esposa a também brilhante professora Serioja Mariano, figura bastante respeitada no meio acadêmico (foi minha professora de História Antiga), focava exatamente a questão racial na época da colonização. Quando assistia aos noticiários, a minha cabeça viajava pelo século XVI em diante e, lamentavelmente, não consegui dissociar o fato de hoje, do conceito antigo. Vi naquela cena do gramado paulistano a repetição do tratamento dado aos negros pelos europeus da colonização, e aí a aula de João Azevedo voltou à minha mente como se eu estivesse em uma sala de projeção assistindo a um filme. E pensei profundamente: puxa vida, tantos avanços, tantas conquistas, tantos “muros” derrubados...e essa praga chamada racismo ainda continua? Mesmo não sendo Grafite, um dos tripulantes dos navios negreiros, nem Desábato, um colonizador europeu, os vi como tais, tamanha foi a minha indignação. Mas, é muito importante que não nos isolemos ao ocorrido com o nosso Grafite, pois, milhares de cidadãos e cidadãs brasileiros estão hoje, sofrendo dessa praga, na hora de ingressar nas universidades, no mercado de trabalho, no setor público executivo, no setor público judiciário e no setor privado com maior ênfase. E, é também, muito importante verificar que outras camadas e agrupamentos sociais, também têm enfrentado os mais diversos preconceitos (falarei em outra oportunidade), que em pleno século XXI não deveriam mais prosperar. Na prática, o que ocorreu no gramando do Morumbi, após a atitude selvagem do zagueiro argentino, foi apenas um ensaio a portas abertas dessa peça que deve ser encenada pra valer daqui pra frente, e que os Desábatos espalhados pelo planeta aprendam a respeitar os Grafites que irão sempre encontrar pela frente, pois, o mundo é nosso, gigante, belo e colorido. *Eliezer Gomes é Comerciário, Acadêmico de História e Suplente de Vereador pelo PT de João Pessoa.