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Cana-de-açúcar usada em quiosque vai para o lixo

04/04/2005

A Gerência de Vigilância Sanitária de João Pessoa iniciou na manhã de ontem uma inspeção preventiva nos estabelecimentos que comercializam caldo de cana. No primeiro dia da atividade foram inspecionados os quiosques do Parque Sólon de Lucena (Lagoa). Durante o resto da semana, a Vigilância deve continuar o trabalho nos mercados públicos da cidade. Em um estabelecimento da lagoa os produtos foram inutilizados para o consumo, pois estavam com a presença de fungos. Os fiscais retiraram a cana do quiosque e colocaram no coletor de lixo, mas o comerciante não recebeu nenhuma notificação. Nesta primeira visita, a gerência pretende identificar os comerciantes que vendem este tipo de produto e orientá-los sobre a forma correta de armazenamento da cana, para que na semana que vem, seja feita a coleta dos materiais para análise. "A nossa visita tem um caráter mais preventivo, para saber em que condições a cana está sendo vendida em João Pessoa. Mesmo sabendo que nenhum caso de doença de chagas foi registrado aqui no Nordeste, nós queremos verificar como estes produtos estão sendo acondicionados", disse o inspetor sanitário Ricardo Mendonça. Segundo ele, as irregularidades encontradas são em relação a forma como os comerciantes guardam a cana. Cuidados para conservação A indicação da vigilância sanitária é que a cana seja colocadas em recipientes plásticos com tampa para evitar a presença de insetos. "Quando a cana chegar ao estabelecimento, ela deve ser imediatamente, lavada, raspada, cortada e abrigadas em recipientes plásticos que tenham tampa. A máquina que moe a cana também deve ser constatemente higienizada e deve permanecer coberta", explica o fiscal. Ele ainda falou que a gerência não irá punir esses estabelecimentos porque muitos comerciantes não sabiam que tinham que tomar essas providências. "A cana sempre foi deixada exposta, algumas as vezes até no chão. Isso sempre existiu", afirmou. Na próxima semana, será iniciado o trabalho de coleta dos materiais para análise. Caso seja identificada a presença de bactérias e vírus nas canas recolhidas a vigilância sanitária deverá entrar em contato com a vigilância epidemiológica do município, para que se possa ser feito um rastreamento para saber de onde vem esta contaminação, conforme informou Ricardo Mendonça. Vendas têm queda de 100% - De acordo com o comerciante Francisco Floriano de Lima, as vendas de caldo de cana tiveram uma queda de quase 100%, depois que o surto de doença de chagas foi identificado no litoral de Santa Catarina, justamente por conta da ingestão de cana contaminada pelo barbeiro. "Nós vendíamos em média 50 a 60 caldos de cana por dia. Ontem a gente não vendeu nenhum e hoje também não. As vendas caíram 100%", declarou. O fiscal da Gerência de Vigilância Sanitária do município, também confirmou essa informação a partir das visitas que forma feitas na manhã de ontem. "Cerca de 90% das pessoas que trabalham com caldo de cana estão sem vender esse produto. A população está realmente assustada e prefere não se arriscar", considerou.