PATRÍCIA BOTELHO - Ajudando ou precisando de ajuda?
23/11/2008 Ajudando ou precisando de ajuda? Patrícia Botelho* A co-dependência é definida pelo especialista Earnie Larsen como sendo aqueles comportamentos apreendidos e derrotistas ou defeitos de caráter que resultam numa reduzida capacidade de iniciar ou participar de relacionamentos de afeto. Uma co-dependente definiu da seguinte forma: É ser tomado de conta. M. Beattie define como sendo uma pessoa que tem deixado o comportamento de outra afetá-la, e é obcecada em controlar o comportamento de outra pessoa. Muitas pessoas acreditam que a co-dependência esta ligada somente a pessoas envolvidas afetivamente com alcoólicos ou dependentes químicos, mas, na verdade, existe uma co-relação entre a desordem compulsiva ou compulsividade. Ou seja, seria natural termos co-dependentes em famílias onde algum membro possa apresentar problemas com alimentação (comer de mais ou de menos), jogos, comportamentos sexuais inadequados, dentre outros. Podemos encontrar co-dependentes também nas seguintes situações: · Pessoas em relacionamento com indivíduos com doenças crônicas; · Pais de crianças com problemas de comportamento; · Pessoas em relacionamentos com pessoas irresponsáveis e · Enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais em ajuda a outras pessoas. Em relação à dependência Química, a co-dependência surge de forma muito rápida e o individuo não encontra formas de esconder o comportamento, pois está visivelmente afetado pela droga dicção do outro. Ele passa a viver de ilusão. O sofrimento, a ansiedade e a angústia são constantes em sua vida. Nesse tormento, confuso em seus sentimentos, se sacrifica pelo outro, sempre dizendo “não” para si mesmo. Tentanto controlar a vida do outro, sem poder para tal, deixa de controlar a própria vida. O co-dependente age escondendo os fatos que se constituem numa vergonha para todos. Por total desinformação, imagina que está ajudando. Na realidade não está ajudando em nada. Está apenas adiando um tratamento para aquelas pessoas que sozinhas nunca conseguirão se livrar das drogas. A forma correta de agir é ajudar sem se envolver emocionalmente com o dependente e ter coragem de impor limites de ajuda, vivendo a sua própria vida e deixando que o dependente viva a dele, consciente de que ele precisa de ajuda e que você está ali para ajudá-lo dentro das suas possibilidades e limites. Qualquer que seja a opção de ajuda é necessário um posicionamento a favor de uma vida saudável do ponto de vista mental, emocional e físico, para poder administrar os complexos problemas da dependência química. Neste processo de ajuda todos têm que ter plena e total consciência de seus verdadeiros papéis. De um lado, está o dependente lutando para se livrar das drogas, Do outro, está alguém disposto a ajudá-lo, porém, sem se envolver emocionalmente ou ser manipulado. A dependência é uma doença progressiva e fatal. Atinge o físico, o emocional e o espiritual. E a família não escapa disso. O primeiro passo para o tratamento é conscientizar-se de que é doente e procurar ajuda. O tratamento da Co-dependência pode consistir de psicoterapia, grupos de auto-ajuda, terapia familiar e em alguns casos, antidepressivos e ansiolíticos. Os grupos de auto-ajuda para familiares de dependentes, tais como, Alanom e Co-dependentes Anônimos são de grande utilidade no processo de recuperação familiar da co-dependência. Em termos de modalidades de tratamentos psicológicos, Neliana Buzi Figlie discorre sobre 4 tipos: Grupos de Pares, onde os membros da família são distribuídos em diferentes grupos dependentes químicos, pais, mães, irmãos, cônjuges, etc. A interação entre pares é facilitadora de mudanças, uma vez que escutar de um par não é o mesmo que escutar de um profissional, porque o par passa por situação semelhante e não é alvo de fantasias e idealizações como o terapeuta. Ajudar é preciso e acima de tudo essencial, mas precisamos antes tomar consciência de que podemos apenas ajudar o fardo do outro ficar mais leve e não carregá-lo por completo.
. *Educadora e voluntária.
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