Genoino: "É necessário recompor articulação"
18/02/2005
O presidente nacional do PT, José Genoino, afirmou nesta quinta-feira (17) que é necessário haver um esforço do partido para recompor a articulação política no Congresso após a eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) como presidente da Câmara. Ele acredita, no entanto, que os projetos de interesse do país não correm perigo e serão analisados pelos parlamentares. “O governo vai estabelecer uma agenda institucional com o presidente da Câmara”, explicou, em entrevista ao Jornal do Terra, na TV Terra. De acordo com o dirigente, os outros partidos têm tanto interesse quanto o governo federal em analisar algumas das propostas em tramitação, como, por exemplo, a reforma tributária.
Genoino disse que o PT cometeu alguns erros durante o processo de eleição na Câmara, mas fez o possível para tentar eleger o candidato do partido, Luiz Eduardo Greenhalgh (SP). “Em política, você luta por boas causas e ganha, mas, às vezes, também perde”, disse. “O Luiz Eduardo Greenhalgh era uma boa causa.”
Na sua opinião, vários fatores contribuíram para a eleição de Cavalcanti. “O PT propôs um acordo, com base na votação de alguns projetos, ao PSDB e ao PFL, mas a oposição preferiu apostar no quanto pior, melhor”, exemplificou. Segundo ele, faltou ainda avaliar melhor as resistências ao nome de Greenhalgh pelos outros partidos na Câmara. “Uma resistência que se apresentou por causa dos seus méritos”, ressalvou.
Segundo Genoino, parte da culpa cabe também ao deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), que decidiu disputar a eleição na Casa contra Greenhalgh. “Ele legitimou o vale-tudo das candidaturas avulsas”, observou. “O PT fez todas as tentativas para convencer o Virgílio a retirar a sua candidatura.” Para o presidente do partido, agora caberá à Executiva e ao Diretório Nacional discutir o assunto. Genoino disse que também errou no processo de eleição da Câmara por não ter conversado mais com os líderes dos outros partidos.
O dirigente acredita que o PT precisa dialogar mais com a oposição e com os partidos aliados na Casa. Ele defendeu o fim das emendas coletivas de bancada para evitar desvios de recursos, a limitação das medidas provisórias e a aprovação da fidelidade partidária para acabar com o troca-troca de partidos.
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