1º de Maio, dia de Resistência!

Escrito por: Eliezer Gomes, secretário de relações internacionais da Contracs 29/04/2016

EliezerMuita gente, principalmente os mais jovens não tem ciência do significado histórico do 1º de maio para a classe trabalhadora. Muitos acham que o 1º de maio é apenas um feriado para comemorar o “dia do trabalho,” mais uma oportunidade para aproveitar o feriadão e ir à praia, ao parque ou ainda tomar uma cervejinha com os amigos. Lamentável engano!

Na realidade, o 1º de maio representa um grande marco na vida e na luta dos trabalhadores; conquistas e avanços estão assinalados a partir da essência dessa data já nos idos anos de 1886, nos Estados Unidos, na simbólica cidade de Chicago, a mais populosa do Estado de Illinois.

Foi naquele ano do século XIX, que após razoável acúmulo em sua caminhada de lutas, os operários norte-americanos, inspirados na luta operária europeia deflagraram memorável greve geral, oportunidade em que reivindicavam melhores condições de trabalho e jornadas menores (eles trabalhavam 13 horas por dia e lutavam por uma jornada de 8 horas), dentre outros pleitos.

A greve dos operários ocorrida em Chicago resultou, a princípio, na morte de três trabalhadores, fato este que desencadeou novas manifestações nos dias seguintes com confrontos violentos entre manifestantes e a polícia causando a morte de mais doze operários e vários outros saíram gravemente feridos; no confronto morreram sete agentes das milícias do Estado. Cinco trabalhadores foram condenados a pena de morte e três a prisão perpétua. Estes movimentos pós-greve geral ficou conhecido como Revolta de Haimarcet.

Três anos depois, no dia 20 de junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris aprovou em sua convenção a convocação de todos os trabalhadores à lutarem pelas oito horas diárias de jornada de trabalho no 1º de maio.

Foram anos de lutas e muito sofrimento para que a classe trabalhadora pudesse alcançar a sua conquista; outas mortes, perseguições e várias formas de repressão sempre houve e ainda há nos dias atuais.

Hoje vemos com tristeza alguns dirigentes sindicais tratar o 1º de maio como apenas um momento de festividades e alienação; claro que o lazer e as festividades são importantes, todos nós apreciamos, porém, não podemos jamais transformar tão importante data histórica em apenas festividades.

O 1º de maio deve ser por excelência um momento de profunda reflexão; precisamos levar as novas gerações o seu verdadeiro sentido, o porquê do dia destacado, falar dos “heróis” da classe trabalhadora que pagaram com suas vidas o surgimento de um tempo de conscientização, de muitas lutas e conquistas.

É lamentável vermos em pleno 1º de maio milhares de trabalhadores/as sendo mobilizados à participarem de festivais, torneios esportivos e concorrerem a sorteios de brindes, muitos deles cedidos pela classe patronal.

Precisamos retomar a antiga forma de celebrar o dia do TRABALHADOR (não é o dia do trabalho!), forma esta com grandes ações e atos de protesto contra a exploração do capital sobre o trabalho. Mobilizar, conscientizar e organizar os/as trabalhadores/as é o nosso papel.

Este ano, em especial precisamos estar muito mais mobilizados e unidos para lutar contra a retirada de direitos e contra o golpe em curso no país patrocinados pelo congresso nacional e pela classe empresarial.

Devemos, neste 1º de maio, dar uma grande demonstração de força para deixar bem claro para os golpistas de que a classe trabalhadora brasileira não está morta e vai à luta para garantir suas conquistas e a manutenção da DEMOCRACIA.

Vamos todos aos atos de 1º de maio, organizados em todo o Brasil pelos nossos sindicatos, pelas nossas centrais e pelo movimento social organizado, pois, o 1º de Maio é dia de resistência!

#DireitosNãoSeReduzSeAmplia #EmDefesaDaDemocracia

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