As Multinacionais e as Redes de trabalhadores e trabalhadoras no Brasil

RedesNo mês de novembro, a Contracs realizará o Encontro Nacional das REDES de trabalhadores e trabalhadoras na cidade de São Luis do Maranhão. Devem se reunir trabalhadores/as de multinacionais instaladas em nosso País, comoWALMART, CARREFOUR, CENCONSUD, C&A, SHV GAS, ACCOR e MC DONALDS.

A exemplo das grandes e médias empresas nacionais, estas multinacionais representam hoje uma enorme fatia na economia em nosso país.

Num passado recente, acerca de 20 e 30 anos atrás, algumas dessas companhias ainda não compunham o conjunto atual e as relações de trabalho nos respectivos segmentos tinham outros valores.

Com a chegada das multinacionais dos setores de comércio e serviços no Brasil, estabelece-se um conjunto de mudanças verificadas a curto e médio prazo. Podemos elencar pelo menos três aspectos novos enxergados de imediato com a chegada dessas grandes empresas:

1 – A cultura do país de origem de cada uma delas passa a influenciar fortemente nas relações de trabalho por aqui, com aplicação de novos métodos, novos critérios e até mesmo com a implementação de regras que vão de encontro ao nosso conjunto de leis trabalhistas e nossa CLT. Formas de remuneração, estabelecimento de metas e até mesmo jornadas de trabalho sofreram profundas mudanças. Impostas de forma ilegal por muitas multinacionais, tais práticas geraram e vem gerando várias ações que vão desde as movidas pelos trabalhadores organizados em seus sindicatos até demandas judiciais na Justiça do Trabalho, na Justiça comum ou no Ministério Público do Trabalho;

2 – A relação entre as empresas e seus trabalhadores/as também sofreram profundas mudanças: o que antes era tratado com rapidez, hoje passa por um sistema burocrático e de análise que geralmente resultam em insatisfação por parte dos trabalhadores/a que veem suas demandas negadas (tudo em nome do custo benefício). E não há a quem recorrer, pois sempre é dado como resposta às indagações dos trabalhadores que foi feito um chamado (um protocolo virtual) junto ao escritório central e ainda não recebeu retorno ou mesmo a clássica resposta: foi negado!

As multinacionais substituíram os DP’s (Departamento de Pessoal) e RH’s (Recursos Humanos), pelos já “famosos” CH’s (Capital Humano), um setor que geralmente é liderado por funcionários sub-remunerados e que não têm uma mínima estrutura e/ou qualquer autonomia para atender de forma digna as demandas dos trabalhadores e das trabalhadoras.

3 – Um outro aspecto entre os três que apresentamos, apenas como “aperitivo,” é a prática doASSÉDIO MORAL -> Metas inatingíveis, acepção de pessoas, xingamentos, recusas de atestados médicos, punições (advertências, suspensões, etc.) por motivos banais e com o objetivo notório de apenas perseguir e intimidar os trabalhadores e trabalhadoras são exemplos de práticas diárias levadas ao efeito por essas multinacionais instaladas no Brasil.

Alguns fatores fizeram com que essas multinacionais desembarcassem no Brasil, tais como a globalização econômica, o atrativo mercado brasileiro (um país continental), com potencial e cultura de consumo altíssimos, incentivo fiscal e margem de lucro acima da média.

De olho nessa nova realidade, iniciou-se em 2001 os primeiros sinais concretos de organização dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros frente à nova realidade. Por iniciativa da CUT, organiza-se os comitês CUTmulti que passa a desenvolver uma estratégia de enfrentamento concreta e organizada.

Esse trabalho iniciado pela CUT resultou na consolidação das REDES DE TRABALHADORES E TRABALHADORAS, que tem sido importante suporte para os nossos sindicatos, federações, confederações e da própria central nas ações locais e além-fronteiras. Hoje, algumas outras centrais sindicais já adotam as redes em suas bases.

As redes têm organizado e criado um clima de intercâmbio entre os trabalhadores/as de uma mesma empresa em todo o mundo e, além dos acordos internacionais firmados, tem avançado nas questões menores, mas não menos importantes do dia-a-dia dos trabalhadores/as. São inegáveis, por exemplo, os avanços e conquistas, mesmo ainda estando muito longe do que desejamos enquanto movimento sindical. Mas o cenário que vimos hoje é animador e requer de nós, ousadia.

Para tanto precisamos contar muito mais com o apoio das diretorias dos sindicatos de nossa base, incentivando, encaminhando e co-patrocinando os seus representantes junto às respectivas redes.

Toda força e todo apoio ao ENCONTRO DAS REDES em São Luis do Maranhão nos dias 04 e 05 de novembro de 2015.

A luta sempre continua!

Eliezer Gomes, Secretário de Relações Internacionais da CONTRACS/CUT

contracs.org.br

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