GOLPE ‘Saída para a condenação de Lula não é mais jurídica’, diz professor

José Luiz Quadros de Magalhães, da UFMG, afirma que o processo contra o ex-presidente faz parte de um jogo internacional de hegemonias

São Paulo – Para o professor de Direito Constitucional da Universidade Federal de Minas (UFMG) José Luiz Quadros de Magalhães, a saída para a condenação de Lula não é mais jurídica. “Esperávamos que houvesse uma decisão técnica (no TRF4), mas não teve. Acredito que a saída não seja mais no plano jurídico, porque tudo virou um teatro onde as pessoas fingem que aplicam a lei. Se pudermos esperar uma mudança será no plano político”, afirma.

Em entrevista à Rede Minas, na última quinta-feira (25), o especialista afirma que a normalidade jurídica no Brasil acabou em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff, instaurando um Estado de exceção. “O processo contra Lula é irregular, sem provas. Estamos lançando um livro aqui na Itália falando sobre esse processo que é um desenvolvimento do golpe de 2016. É um golpe que afasta um projeto político, acabando com a saúde e a educação públicas, o sistema previdenciário, além de entregar a tecnologia e as riquezas da Petrobras”, explica.

Por 3 votos a 0, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em julgamento de recurso impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra sentença condenatória de Sérgio Moro, manteve a condenação da primeira instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, na última quarta-feira (24).

Para o professor, a condenação de Lula está dentro de um jogo internacional de hegemonias. “Depois que África do Sul, Brasil e China começaram a ganhar força economicamente, enquanto Estados Unidos e países europeus perdiam forças, veio a resposta de grandes empresas vinculadas aos interesses norte-americanos”, denuncia.

Ouça a entrevista:

por Redação RBA publicado 29/01/2018 16h00, última modificação 29/01/2018 16h15

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