O que está por trás do julgamento açodado do ex-presidente Lula? por Eliezer Gomes*

Lula e Contracs1-001Que o ex-presidente Lula foi condenado pelo Juiz Sergio Moro, na 1ª instância da operação Lava-jato, em Curitiba, no chamado processo tríplex do Guarujá, monocraticamente e sem provas, todo mundo já sabe, até mesmo aqueles que não tem simpatia por ele, Lula. Também é sabido que muitas manobras existiram na tentativa de incriminá-lo, tentativa essa vergonhosa, absurda, insólita e inglória.

Durante todo o processo em Curitiba, “de tudo” foi feito para se conseguir uma acusação com materialidade, que pudesse de fato, diante da doutrina jurídica brasileira condenar o ex-presidente; e não foi só isso, mas tentar, ardilosamente, convencer a sociedade e os entes afins, nacionais e internacionais da existência de um crime praticado por Lula. Não deu!

O que se viu foram prisões preventivas decretadas “Ad aeternum” cujos objetivos, vistos a olhos nus, miravam no cansaço e desespero dos prisioneiros, de forma a se tornarem vulneráveis ante ao sofrimento nos cárceres e consequentemente serem atraídos ao instituto da delação premiada, verdadeira porta da esperança para quem busca, a todo custo, a liberdade, o direito de ir e vir, com ou sem tornozeleiras.

As audiências sobre o caso, sempre recheadas de contradições, pressões, induções, ilações, dissimulações, desmentidos e seletividades, que eram vistas em tempo real (algumas), quer sejam pela mídia convencional e/ou pelas redes sociais, já denotavam o caráter nebuloso e de parcialidade dominante no andamento do processo.

Na audiência do próprio réu, verificou-se um verdadeiro clamor por parte do mesmo, pela apresentação de uma única prova contra si – uma escritura lavrada em seu nome ou de algum de seus familiares, um documento assinado em alguma imobiliária, uma lauda cartorial… algo que provasse a aquisição do imóvel em questão. Nada, absolutamente nada foi apresentado pelo magistrado e muito menos pelos representantes do Ministério Público. Apenas relatos de prisioneiros ávidos por liberdade, um PowerPoint, uma convicção lunática e o desejo incontido de condenar o ex-presidente.

Mesmo assim, a cada episódio da operação “condena Lula,” antes, durante e depois, a mídia golpista, claramente em sintonia com a “república de Curitiba,” cuidava da espetacularização previamente combinada, programada e levada a efeito em horários nobres, com reproduções a cada bloco, produzindo descaradamente a desinformação e a manipulação dos fatos. A mídia (notadamente a Rede Globo – Concessão Pública) tinha tanta influência no processo, que era detentora de informações privilegiadas e com antecedência, que nem mesmo a defesa do ex-presidente as tinha, muito pelo contrário – vivia suplicando pelo acesso às mesmas, que sempre eram negadas, assim como as perícias e a oitiva do advogado Tacla Duran que acenava com provas cabais sobre vendas de sentenças em Curitiba.

Após todo esse processo claramente politizado, mesmo sem ser proprietário do chamado triplex do Guarujá, que na realidade pertence à empreiteira OAS, que o mantém como garantia contratual junto a Caixa Econômica Federal, em 12 de julho de 2017, o ex-presidente Lula foi condenado pelo juiz Sergio Moro a 9 anos e meio de reclusão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Há de se perguntar, onde estão as provas?

Agora, recentemente, a comunidade jurídica e o povo brasileiro, mais uma vez, são pegos de surpresa ao verem o recurso interposto pelo ex-presidente Lula junto ao TRF-4 (2ª instância), sediado em Porto Alegre – RS, com previsão histórica de julgamento nunca inferior a um ano, ser anunciado para o dia 24 de janeiro de 2018, apenas 6 meses após o julgamento em 1ª instância, deixando para trás sete outros processos anteriores ao seu, numa nítida atitude açodada, ainda não explicada pela média corte gaúcha. O que esperar de um processo que caminha dessa maneira?

O que está por trás do julgamento açodado do ex-presidente Lula? Uma pergunta que tem resposta, vejamos!

Após mais de meio milênio de um país governado por e para os interesses dos poderosos, em detrimento da grande maioria de seu povo, eis que surge um governante oriundo da classe trabalhadora, “ungido” pelo voto popular; um governante comprometido com a justiça social, preocupado com o futuro do país e focado no combate ao desemprego, às desigualdades sociais, da fome e da miséria.

Durante 8 anos, o ex-metalúrgico Lula da Silva mudou a cara, o coração e mentes do Brasil, conquistou o mundo capitalizando respeito e parcerias para o nosso país, que só era conhecido e efetivamente respeitado lá fora devido ao sucesso no futebol.

Nos governos Lula, o Brasil deixou de ser governado apenas para os poderosos e passou a ser um Brasil de Todos. A partir desse período começamos a expulsar de nós o secular espírito de “vira lata,” que com o golpe volta a predominar em boa parte da população, assim como volta a miséria, a desesperança e a instabilidade social.

O ódio contra Lula por parte das elites está relacionado inexoravelmente ao fato de ter sido ele o autor de uma das mais nobres obras que um governante pode realizar: cuidar do povo, das pessoas, dando-lhes respeito, dignidade e esperança. Foi isso que o ex-presidente Lula fez quando esteve à frente do governo. Foi o bastante para assanhar as garras sanguinárias de um sistema capitalista, opressor e desumano.

Com Lula e Dilma (PT), houve distribuição de renda, políticas sociais, crescimento econômico (chegamos a um PIB superior a 7%, lembram?), mais de 20 milhões de empregos formais, avanços importantes na educação e saúde, autonomia frente ao FMI, acesso real da população aos bens (alimento, casa própria, automóvel, eletrodomésticos…) e a realização de outros sonhos de consumo, tais como: viajar, cinema, teatro, shopping e outros mais (base e termômetro de uma economia em ascensão).

Um governo que fez com que os aeroportos se assemelhassem às rodoviárias, por que a classe média e os pobres passaram a viajar de avião; um governo que tornou possível o filho do pedreiro se tornar engenheiro e o filho do Gari se tornar médico; um governo que acresceu em 70% o valor do salário mínimo passando a ser referenciado pelo dólar; um governo que proporcionou à empregada doméstica a possibilidade de ser considerada uma trabalhadora digna, com todos os direitos trabalhistas assegurados e não mais tratada como escrava; um governo que mais construiu universidades e institutos técnicos no Brasil; um governo que equipou a Polícia Federal (antes sucateada) dando-lhe condições de trabalho com qualidade e dignidade; um governo que fortaleceu os órgãos de controles de Estado (como o MPF, AGU, Portal da Transparência…); um governo que mais construiu, duplicou e recuperou estradas no Brasil; um governo que criou o maior plano de habitação para assistir ao povo brasileiro em todos os tempos; um governo que tirou do papel e tornou realidade o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, atendendo assim a 12 milhões de brasileiros e brasileiras, vítimas da estiagem severa e da indústria da seca criada pelos coronéis do Nordeste brasileiro; um presidente que ao deixar o Palácio do Planalto em 2010, o fez de forma triunfal com aprovação popular de 87%.

Um governo desse não interessa de forma alguma aos usurpadores e vendilhões do patrimônio brasileiro.

É exatamente por isso que o ex-presidente Lula foi condenado em 1ª instância, sem provas contra ele, e corre o risco de ver seu recurso derrotado em Porto Alegre no próximo dia 24 de janeiro de 2018.

O açodamento é uma das estratégias montadas para tentar impedir sua candidatura à presidência da república em 2018. É isso que está por trás!

*Sindicalista, Historiador e Blogueiro

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