Um grito por justiça em meio a lágrimas no funeral do reitor: “Temos que parar os neofascistas”.

Todos os direitos reservados. All rights reserved. É Proibido qualquer tipo de reprodução das imagens sem autorização. Imagem protegida pela Lei do Direito Autoral Nº 9.610 de 19/02/1998.

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Acabo de assistir, com lágrimas, ao vídeo de duas horas e doze minutos sobre a sessão solene fúnebre do Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina em homenagem ao reitor Luiz Carlos Concellier de Olivo. 

É um dos eventos que entrarão para a história como o culto ecumênico que se realizou em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, em 1975, no começo do fim da ditadura militar.

O representante dos alunos Leonardo Moraes, orientando de Cancellier no curso de mestrado, foi aplaudido de pé quando disse:

“A tragédia de ontem não foi um acidente. Um desafeto político, uma denúncia deturpada, um processo arbitrário conduzido por uma delegada, possivelmente inconformada por ter sido afastada da Lava Jato, uma decisão inconsequente da juíza da 1a. Vara da Justiça Federal de Florianópolis mudaram, do dia para a noite, a vida do reitor Luiz Carlos Cancellier. Depoimentos que o absolviam foram ignorados, provas foram colhidas sem qualquer contraditório, uma prisão duramente criticada por toda comunidade jurídica catarinense. Uma decisão assinada no conforto de um gabinete, que transformou a história da nossa universidade. Elementos que convergiram para uma desfecho que não condiz com o homem que nós conhecíamos. Cancellier jamais foi acusado de desvio de recursos. Não havia fundamentos para uma medida tão agressiva como a prisão temporária. Um homem que lutou contra a ditadura militar se viu condenado sem contraditório, julgado pela mídia, pela sociedade, sem direito de defesa. O homem do diálogo foi preso sem poder falar. Entretanto Cancellier não voltaria pela porta dos fundos. Ontem, Cancellier retornou para a Universidade Federal de Santa Catarina pela porta da frente, sem ordem judicial, carregado nos braços dos seus alunos, colegas, amigos e familiares”.

O ex-senador Nelson Wedekin, de quem Cancellier foi assessor e era amigo, lembrou que a morte dele será contada, nas estatísticas oficiais, como suicídio.

“Mas ninguém se iluda. Mãos visíveis (…) e muitas mãos invisíveis o empurraram das alturas”, disse.

“Que mãos são estas?”, pergunta, para ele mesmo responder:

“Mãos de quem talvez saiba o que é vingança, mas certamente não sabe o que é justiça. Mãos de quem só têm a si mesmos como virtuosos e honestos, senhores do bem e do mal, da reputação de quem mal conhecem e não têm nenhuma curiosidade para conhecer. Mãos de quem têm o poder de prender e ignoram a gravidade do delito suposto e para quem tanto faz o cidadão ter ficha limpa ou antecedentes criminais. Mãos de quem, sempre ciosos da imagem de suas respectivas organizações desprezam, entretanto, a imagem das demais, como deuses de um Alcorão ou de um Bíblia fundamentalista. Mãos de quem, tendo o poder de prender sem flagrante e de começar uma investigação pela coerção, constrangimento e prisão dos suspeitos, não chegam a perceber que o método rústico revela a incapacidade de cumprir seus deveres e obrigações com inteligência, método e moderação”.

“Mãos de quem, ciosos de seu poder e autoridade, ao invés de exercê-los com critério, partindo do pressuposto inalienável de que o cidadão pode ser culpado, pode ter uma parte da culpa ou pode ter culpa nenhuma, pensando que sua intuição e seu juízo são infalíveis, só têm olhos para as evidências que confirmem as suas suspeições.”

“Mãos de quem, ainda ontem, frequentavam os bancos da faculdade, mas, para quem, a presunção da inocência, pináculo do estado de direito, pilar da democracia, conquista da civilização, é um inútil ornamento na lei. Mãos de quem não abrigam em seus corações nenhum sinal de bondade, de compreensão pelo outro e não abrigam em suas cabeças nenhum raciocínio da proporção de seus atos, nenhuma projeção dos seus efeitos e das suas consequências no ser humano, na instituição, na comunidade. Mãos que em nada parecem saber que a prisão, em toda circunstância, é desonrosa, à exceção das prisões nas ditaduras, dos presos políticos. Em nada parecem saber que abate, constrange e humilha aprisionar, examinar alguém em corpo nu, vesti-lo em roupa de prisioneiro e que tudo isso adentra pelo terreno da barbárie. Ainda mais quando se está sem flagrante, sem sentença e antes mesmo de ser réu. Mãos de quem se aproveita de uma época inglória e insana, de uma sociedade exaurida pelos escândalos públicos e que, em boa parte de sociedade, tem espuma e sangue nos lábios. Para quem tudo é joio e só eles são o trigo. Para quem, tendo na ponta da língua os chavões da época, de condenação geral aos bandidos de verdade que existem, mas levando junto os que passarem perto e os inocentes que têm o azar de passar pelo caminho. Um pouco de humanidade não lhes faria mal. Não conheço nenhum desses agentes da lei e não desejo conhecê-los porque tenho medo deles”, continuou.

“Que autoridades são estas que, ao invés de nos proteger, nos causam medo e terror?”

”Mãos não só de autoridade, mas de uma imprensa que primeiro atira e depois pergunta quem vem lá… isso QUANDO e SE pergunta”.

Enquanto ele falava, sem citar nomes, me vinham à mente imagens da delegada Erika Marena, que vi no vídeo de uma das audiências conduzidas por Sergio Moro.

Erika, a quem se atribui a maternidade do nome Lava Jato, acompanhava o depoimento do agente Dalmey Werlang, que havia denunciado a instalação de escutas ambientais clandestinas nas celas dos presos da operação.

Um advogado informa ao juiz da presença da delegada, que poderia constranger Dalmey. Erika está sentada de frente para Sergio Moro, mas, quando o advogado informa sobre a presença de Erika, o juiz diz, demonstrando surpresa:

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