Quem diria, o Judiciário acabou no Irajá entre engradados de cervejas e numa mesa de bar

 September 10, 2017 /João Costa

João costaQuem diria o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, em companhia do advogado Pierpaolo Bottini, que negociou a delação premiada e fez a defesa do Rei do Gado e dos políticos brasileiros, Joeley Batista, entre engradados de cerveja me fez lembrar da famosa música “Entre Espumas”, do inesquecível Lindomar Castilho. Não se trata de “um amor que surge numa mesa\e entre espumas ele há de terminar”, mas onde o Judiciário brasileiro foi parar.

Vivemos num estado de exceção cuja longa mão do Judiciário promove outro estado inquisidor na base do terror dos procuradores, a empáfia dos vingadores da Nação, delações sem provas, ou com provas que não interessam aos julgadores, o moralismo, a inabalável fé no “no combate à corrupção”, mais a colaboração dos fâmulos da mídia nativa, tudo condensado no escondidinho de um bar, entre engradados de cerveja, eis o resumo da ópera que rege a República.

Uma cerveja e apenas uma taça – durante encontro casual num boteco na capital da República, e na Semana da Pátria!

Se Dom Pedro emergiu por trás das bananeiras para bradar seu grito de Independência Ou Morte! O procurador-Geral da República emergiu por trás de um engradado de cerveja, para não deixar dúvidas sobre quem denuncia, quem defende, quem julga e condena.

Tal como na música de Luiz Marquetti na voz de Roberto Muller, podemos parodiar a frase “Se um amor nasceu de uma cerveja\Outra cerveja beberei para esquecer” e cantar para a plateia indulgente: “se o combate à corrupção nasceu de uma cerveja\Outra cerveja para beberei esquecer”.

Se havia ou há alguma reputação a salvar ou manter, diante  da Nação que professa indignação e moral seletivas, ela só é possível pela voz dos âncoras do Jornal Nacional e pela páginas do jornalismo de esgoto da mídia impressa de O Globo.

– “foi uma demonstração de que as diferenças no campo judicial não devem extrapolar para a ausência de cordialidade no plano das relações pessoais”, disse Pierpaolo, o advogado, que não é o Pasolini, o impagável diretor de Decameron, filme em torno dos contos eróticos de Giovanni Boccaccio, àquela ficção cinematográfica que escandalizou a classe média depositária da moral de dos bons costumes, reduzida a abatedora de panelas e de exultante manifesto ódio a pobres.

E o Janot estava de óculos escuros na noite brasiliense, segundo a mídia, pouco tempo depois de pedir a prisão dos delatores que a ele, Janot, confiaram às revelações tenebrosas sobre o títere que ocupa o Palácio do Planalto.

O que dizer ou imaginar, as circunstâncias dadas para a delação do ex-ministro Palocci, cuja fala depoente e texto, citam “Pacto de Sangue”, uma expressão teatral, que muitos desconfiam atribuída a um redator dramático de Curitiba – a Guantánamo brasileira.

JanotNinguém sabe que meus males são tão grandes\Que me partem o coração”, diz ainda uma frase da música de Roberto Muller. E com ela eu fico, pois a cortina ainda não se fechou!

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