Operação Zumbi, por Jaldes Reis de Menezes*

jaldesNa crise, os dias valem por anos e as nuvens sempre mudam de desenho. Sem dúvida, a partir das revelações do empresário Joesley Batista (da poderosa JBS), o governo Temer virou um Zumbi à deriva. Quem conhece do assunto, sabe que os zumbis lutam para sobreviver assombrando, e se possível destruindo. No dia de hoje, há uma operação organizada de manutenção do “governo Zumbi”.

O principal objetivo da “operação Zumbi” é ganhar tempo, conter a debandada dos ratos da embarcação, encontrar algum pedaço de madeira e ancorar em alguma ilha da fantasia perdida no espaço. A operação Zumbi reúne todos os ingredientes de acabar em desastre. Mas não é o caso de subestimar. Essa máfia do Temer tem experiência em atuar contra a parede (lembrem-se da delação de Sérgio Machado, na qual Romero Jucá entregou o roteiro do Impeachment). Cinismo e óleo de peroba não falta a esse pessoal.

O dia de ontem começou no PSDB com Carlos Sampaio como novo presidente e findou com Carlos Jereissati. Essa mudança significou exatamente um “freio de arrumação”, na sugestiva designação do jornalista Breno Altman, descrevendo a operação de sobrevivência em curso. O PSDB esteve na iminência de entregar os cargos, mas recuou e resolveu esperar. O DEM, através de José Agripino, desautorizou os voos solos de Ronaldo Caiado. Não por acaso que, logo que eleito, Tasso foi se avistar com Temer. A manchete da Folha de hoje estampa que as gravações contra Temer são “inconclusivas”. Vozes na Globo já ensaiam uma moderação em meio às denúncias arrasa-quarteirão.

O desfecho da crise é incerto, nem poderia ser diferente quando o cardápio abre várias opções, mas o clima na sociedade – portanto, um elemento decisivo correlação de forças – começou a pender para o lado da oposição. Sem menosprezar a atuação no congresso, o principal fator da oposição depende da força da mobilização popular pelas diretas já.

A campanha começou bem, mas ainda precisa ampliar e incorporar novas forças sociais. É preciso ir além do espectro dos que se mobilizaram contra o impeachment de Dilma, envolver os pobres da periferia; se possível, deslocar para o protesto ativo parcela das classes médias, que até aderiu ao impeachment, contudo são um poço de insatisfações contra Temer. São missões complexas, mas factíveis. Nada é fácil em política.

A maioria ainda assiste “bestializada” à crise. É preciso associar a defesa das diretas à crítica das reformas trabalhista e previdenciária. O êxito da greve geral serve como parâmetro, mas sempre é preciso lembrar que a campanha das diretas já precisa adquirir a feição de campanha cívica. A vitória é possível e está ao alcance da mão!

*PHD, Professor da Universidade Federal da Paraíba e Cientista Político

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