Auxiliar de Marina defende reaproximação com EUA e precarização do Mercosul

Mudança significaria oposto diametral à linha adotada pelo PT à frente do governo federal, que prioriza a pluralidade de alianças e diversificação de parceiros políticos e econômicos.

Marina (1)
por Redação RBA publicado 19/09/2014 15:57, última modificação 19/09/2014 16:29 
VAGNER CAMPOS/ MSILVA ONLINE

São Paulo – Um dos coordenadores do programa da candidata Marina Silva (PSB), o ex-deputado federal Mauricio Rands, disse em entrevista à agência Efe que ela faria correções na política externa brasileira, com uma flexibilização do Mercosul e retomada de uma relação mais próxima com os EUA. “Os Estados Unidos de [Barack] Obama terão muita afinidade com o Brasil de Marina Silva”, previu.

Rands, ex-deputado federal que deixou o PT em 2012 para migrar para o PSB, é um dos responsáveis pela redação do plano de governo de Marina ao lado de Neca Setúbal, uma das herdeiras do Banco Itaú. A dupla é responsável pelo texto que já teve de ser alterado para absorver as mudanças de posição da candidata em pelo menos em três ocasiões: na primeira, para retirar apoio a bandeiras do movimento LGBT e, outras duas, para incluir a fonte de trechos plagiados de artigos acadêmicos e documentos públicos.

Segundo Rands, uma das linhas do programa será colocar em uma nova dimensão as relações com os Estados Unidos, atualmente abaladas pelas revelações feitas pelo ex-analista da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos Edward Snowden, que dão conta de que o governo norte-americano espionava e-mail e celular da presidenta Dilma Rousseff (PT), bem como da diretoria da Petrobras.

“Queremos, de fato, ‘relançar as relações’. Temos pontos de tensão, como a espionagem, assuntos da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas temos muito mais espaços para cooperar no campo da paz, da energia, da mudança da governança mundial”, afirmou Rands. Quando foi deputado, Rands fez parte da frente parlamentar Brasil-Estados Unidos e levou ao Congresso um projeto para eliminar a dupla tributação entre os países.

O programa do governo de Marina Silva também defende uma flexibilização do Mercosul para que os países-membros possam assinar acordos de livre-comércio com outros blocos. No texto do programa, a Argentina é acusada de “se negar insistentemente em convergir com os demais membros do Mercosul” sobre a forma para se chegar a um acordo de livre comércio entre o bloco e a União Europeia (UE).

“Nosso programa apresenta correções que precisam ser realizadas nas relações externas”, comentou Rands, entre as quais “dinamizar e fortalecer as relações” no âmbito do Mercosul e da Unasul. “Queremos acelerar a integração de nossos blocos com outros, como um acordo UE-Mercosul. E, para isso, por profunda solidariedade com nossos países irmãos, admitimos fazer negociações respeitando a individualidade de cada país membro e poder negociar em um mecanismo de ‘duas velocidades'”, explicou.

Segundo Rands, que é apontado como um dos possíveis futuros ministros de um eventual governo Marina, esta posição não afetaria o Tratado de Assunção, que rege o bloco: “Não se fala de inviabilidade de uma negociação quando esta for necessária se esta atende aos interesses de todos os países irmãos. Queremos um diálogo respeitoso, solidário e eficiente para que todas as economias se beneficiem da integração”.

Na proposta de Marina Silva há apenas uma menção a um dos temas estratégicas da diplomacia do governo Dilma: os Brics, integrado por Rússia, Índia, China e África do Sul. Nesse sentido, “os Brics são uma articulação de países emergentes com mais capacidade de liderança no mundo que possui uma grande heterogeneidade, com pontos em comum como a governança mundial, mas com diferenças em questões como a social, a ambiental e regimes de governo”, ressaltou Rands.

Sobre comércio exterior, reconheceu que um possível governo da ex-ministra do Meio Ambiente deverá modificar sua relação comercial com a China, que desde 2009 superou os Estados Unidos como principal parceiro comercial do Brasil.

“Necessitamos qualificar as relações comerciais com a China e ponderar diante do governo chinês que é necessário um plano solidário sobre a desvalorização do yuan, que às vezes permite concorrência desleal no Mercosul”, afirmou Rands.

RBA-Rede Brasil Atual

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