Trocando em Miúdos – Eliezer Gomes*

cropped-blogAinda sobre a tragédia da Chape -> A semana que passou, dos dias 05 a 09 de dezembro estive participando com outros companheiros e companheiras, de grande evento do movimento sindical internacional, em Medellín, na Colômbia. Foram 5 dias ininterruptos de atividades; se me perguntarem detalhes sobre a cidade, sinceramente não saberei dizer, pois, não tivemos nenhuma chance de fazer um minimo tour, se quer, devido a enorme agenda que tivemos de cumprir, porém, uma coisa me marcou muito: a solidariedade do povo colombiano em relação a tragédia ocorrida com a delegação da chapecoense há alguns dias atrás. Em qualquer lugar que estivéssemos: na esquina, no hotel, no fiteiro ao lado do hotel, no metrô… todos, desde o cidadão comum ao engravatado, ao identificarem nossa nacionalidade se aproximavam para transmitir um gesto de carinho e demonstração sincera de sofrimento com o caso; muitos colocavam a mão direita sobre o peito e até choravam quando nos falavam dos detalhes do ocorrido. Durante o evento a partir das falas dos colombianos e da gratidão apresentada pelos brasileiros participantes, o assunto foi bastante relembrado por todas as delegações. Foi um momento claro de que a solidariedade, mesmo na dor, é um instrumento importantíssimo que pode ajudar muito na luta constante pela paz na terra. Gracias hermanos colombianos!

Moro na Alemanha -> Acostumado a realizar palestras em várias regiões do país (sempre com estruturas bem montadas e esquemas midiáticos e de seguranças surreais), o juiz de primeira instância Sergio Moro, que preside a operação lava jato em Curitiba, não se deu muito bem na Alemanha, onde proferiu palestra na semana passada. Aqui no Brasil, o magistrado (que se parece mais com um pop star) está mesmo habituado a palestrar para públicos previamente selecionados e de orientação ideológica também seleta, o que não foi possível no universo alemão. Lá o magistrado não teve o “conforto” de discorrer suas ideias para um público só seu, mas, para sua surpresa, o auditório estava repleto de pessoas que conhecem a conjuntura brasileira e sabem onde reside a verdade. Resultado: vaias e cartazes com frases associando Moro ao golpe, a globo e ao PSDB predominaram durante a palestra que deixaram o nada discreto e não neutro magistrado brasileiro bem constrangido. Na Alemanha a mídia é menos ladista!

A aposentadoria proposta pelos golpistas, um premio para a morte -> Aposentado aos 53 aninhos de idade e com uma bagatela por mês de aproximadamente R$ 30.000,00 (trinta mil reais), para manter com “dignidade,” o seu ócio, o usurpador, atualmente no Palácio do Planalto, leia-se Michel Temer, enviou inescrupulosamente ao congresso nacional uma proposta de reforma da previdência que simplesmente acaba com a aposentadoria para os trabalhadores/as brasileiros/as. Se a média nacional de vida dos brasileiros é, hoje, em torno de 76 anos, com o novo modelo proposto, a aposentadoria para o nosso povo será apenas uma peça de ficção, o que podemos chamar de ” um premio” para a morte, pois, ao se aposentar, se conseguir, o cidadão fará apenas uma transição entre o seu local de trabalho e o cemitério. E no congresso nacional, onde as aposentadorias são verdadeiras ricas heranças do vale tudo “para eles,” o usurpador deita e rola. E o povo dorme!

Canção do Remendo e do Casaco  de Bertolt Brecht-> Sempre que o nosso casaco se rasga vocês vêm correndo dizer: assim não pode ser; isso vai acabar, custe o que custar! Cheios de fé vão aos senhores enquanto nós, cheios de frio, aguardamos. E ao voltar, sempre triunfantes, nos mostram o que por nós conquistam: Um pequeno remendo. Ótimo, eis o remendo. Mas onde está
o nosso casaco? Sempre que nós gritamos de fome vocês vêm correndo dizer: Isso não vai continuar, é preciso ajudá-los, custe o que custar! E cheios de ardor vão aos senhores enquanto nós, com ardor no estômago, esperamos. E ao voltar, sempre triunfantes, exibem a grande conquista: um pedacinho de pão.
Que bom, este é o pedaço de pão, mas onde está o pão? Não precisamos só do remendo, precisamos o casaco inteiro. Não precisamos de pedaços de pão,
precisamos de pão verdadeiro. Não precisamos só do emprego, toda a fábrica precisamos. E mais o carvão. E mais as minas. O povo no poder. É disso que precisamos. Que tem vocês a nos dar?

 *Sindicalista, blogueiro e historiador

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